As urnas eletrônicas são seguras, de fato?

As eleições estão chegando. Este ano, o Brasil elegerá deputados estaduais e federais, dois senadores por estado, governadores e presidente. E, por ser um momento tão importante nos rumos do pais, a segurança se torna assunto em pauta. Fomos os pioneiros em um sistema eletrônico de votação. Mas a pergunta é: as urnas eletrônicas são seguras?

Neste artigo, explicaremos como funciona o processo de segurança das urnas eletrônicas. além disto, mostraremos os cuidados tomados antes, durante e depois das eleições. E então, o veredicto: se as urnas eletrônicas são seguras ou não.

O que são as urnas eletrônicas?

Criadas em 1996, as urnas eletrônicas brasileiras representaram uma evolução tecnológica eleitoral.

Porém, ela só passou a ser utilizada em todo Brasil a partir de 2000. Os primeiros modelos contavam com um teclado mais “borrachudo” e vertical. Porém, o design foi substituído.

A ideia é que as teclas parecessem telefones fixos. O que facilitaria o uso para pessoas de todas as classes sociais.

Em 2006, A Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações (SUCESU) colocou as urnas eletrônicas entre as quarenta mudanças tecnológicas mais significativas dos últimos 40 anos.

Porém, a desconfiança se as urnas eletrônicas são seguras nunca deixou os brasileiros.

Como funciona o processo eleitoral?

Tudo começa dias antes das eleições, com a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração do Sistema. A ocasião acontece no Tribunal Superior Eleitoral, com a presença da OAB e do Ministério Público. Partidos políticos e coligações também podem participar.

Logo, existe muita gente no local. Uma fraude, neste momento, deveria contar com o consentimento de muita gente.

No dia da votação

Antes da abertura da sessão, é realizado um procedimento de segurança. O presidente mesário, juntamente com outros fiscais, imprime a Zeríssima. Este relatório aponta que não há votos registrados na urna.

Uma urna poderia ser substituída aqui por outra, falsa. Porém, seria, novamente, preciso de consentimento de terceiros.

E não somente dos fiscais: mesários e Polícia Militar, que faz a segurança das eleições.

No dia da votação, o eleitor não pode passar muito tempo na cabine. O terminal dos mesários sinaliza quando há demora excessiva. Eles estão autorizados a ajudar, caso necessário, mas sem interferir no sigilo.

Depois da votação

Ao final, o presidente mesário, juntamente com outros fiscais, imprime o boletim da urna. Este documento é impresso em várias vias.

Uma destas vias fica na porta da sala. As outras são entregues ao TRE. Porém, todas são consultáveis pela internet, depois das eleições.

Além disto, também existem os pen drives. Cada urna conta com um, que armazena os votos. Ao final das eleições, eles são depositados em um envelope lacrado e entregues ao TRE.

Os dados são transportados com escolta policial até o TRE. Lá, os dados são enviados por uma conexão segura para o banco de dados do TSE e contabilizados. O próprio TSE explica melhor todo o funcionamento e sistema isolado das urnas.

Fraudes nas urnas eletrônicas

Não é difícil encontrar relatos de fraudes. Além disto, as teorias da conspiração acerca do assunto crescem a cada eleição.

Por ser um sistema eletrônico, a probabilidade de fraudes existe. Assim como as falhas.

Em 2012, no último teste público realizado pelo TSE, isto ficou mais exposto. Diego Aranha, doutorado em criptografia pela Unicamp, quebrou, junto com seus alunos, parte do sigilo dos votos de uma urna.

Eles conseguiram alinhar o horário das votações com os votos contabilizados. Para isto, usaram uma simulação que incluía a hora de abertura da urna através da zeríssima.

Depois, alteraram um trecho de programação de software e conseguiram cruzar os dados. Porém, não foi possível revelar o voto de cada um, somente a hora.

Afinal de contas, as urnas eletrônicas são seguras?

Não é possível atestar a total segurança das urnas eletrônicas. Porém, ainda são mais confiáveis que o sistema impresso de voto.

Além do modelo antigo não preservar o sigilo, é facilmente manipulável.

Um mesário mal-intencionado pode transformar um voto em branco em um voto válido. Assim como urnas podem ser furtadas, como acontecia no passado. Cédulas também poderiam ser perdidas no transporte.

O custo de eleições em cédulas seria maior, por conta da produção de papel. Ademais, o tempo de apuração seria maior.


As urnas eletrônicas são um salto tecnológico enorme. Mas, isto não as torna 100% seguras. Porém, o futuro ainda reserva ainda muito progresso em segurança digital. E não somente durante as eleições.



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